{"id":1913,"date":"2024-08-02T10:27:36","date_gmt":"2024-08-02T13:27:36","guid":{"rendered":"https:\/\/radioinsideweb.com.br\/site\/jovem-com-a-pior-dor-do-mundo-revela-historico-de-abuso-e-agressoes-antes-de-diagnostico\/"},"modified":"2024-08-02T10:27:36","modified_gmt":"2024-08-02T13:27:36","slug":"jovem-com-a-pior-dor-do-mundo-revela-historico-de-abuso-e-agressoes-antes-de-diagnostico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radioinsideweb.com.br\/site\/jovem-com-a-pior-dor-do-mundo-revela-historico-de-abuso-e-agressoes-antes-de-diagnostico\/","title":{"rendered":"Jovem com a \u2018pior dor do mundo\u2019 revela hist\u00f3rico de abuso e agress\u00f5es antes de diagn\u00f3stico"},"content":{"rendered":"<p>     Decis\u00e3o veio ap\u00f3s entender que para tratar a dor f\u00edsica da neuralgia do trig\u00eameo, primeiro era necess\u00e1rio tratar a dor ps\u00edquica \u2013 causada por situa\u00e7\u00f5es vividas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, que marcaram sua vida adulta.  Aos 27 anos, Carolina Arruda decidiu contar sobre uma s\u00e9rie de abusos, amea\u00e7as e agress\u00f5es vividas antes de ser diagnosticada com a neuralgia do trig\u00eameo, considerada pela medicina como a doen\u00e7a com a \u201cpior dor do mundo\u201d.<br \/>\n\ud83d\udcf2 Participe do canal do g1 Sul de Minas no WhatsApp<br \/>\nA decis\u00e3o veio ap\u00f3s entender que para tratar a dor f\u00edsica, primeiro era necess\u00e1rio tratar a dor ps\u00edquica \u2013 causada por situa\u00e7\u00f5es vividas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, que marcaram sua vida adulta.<br \/>\nA dor \u00e9 um peso que pode moldar nossas vidas de formas inesperadas.<br \/>\nCarolina Arruda tem neuralgia do trig\u00eameo e vai implantar eletrodos que podem bloquear transmiss\u00e3o da &#8216;pior dor do mundo&#8217; ao c\u00e9rebro<br \/>\nArquivo pessoal\/Carolina Arruda<br \/>\nAo g1, a jovem relatou que os dois casos sofridos n\u00e3o chegaram a ser registrados na pol\u00edcia, devido ao medo de expor a situa\u00e7\u00e3o na \u00e9poca. Hoje, ela espera que esse desabafo seja um incentivo a outras mulheres que possam ter passado por situa\u00e7\u00f5es similares.<br \/>\n&#8220;Eu quero que as mulheres falem, que n\u00e3o se calem. Eu guardei isso por muitos anos e foi muito prejudicial pra mim&#8221;, contou.<br \/>\nAs marcas da inf\u00e2ncia<br \/>\nCarolina Arruda, que tem neuralgia do trig\u00eameo, revelou ter sido abusada dos 6 aos 12 anos de idade<br \/>\nCarolina Arruda\/Arquivo Pessoal<br \/>\nAt\u00e9 os 6 anos, Carolina Arruda era uma crian\u00e7a brincalhona, criativa e que sonhava em ser professora. No entanto, o cen\u00e1rio mudou quando ela foi abusada sexualmente por um familiar dentro da pr\u00f3pria casa.<br \/>\nSegundo a jovem, ela era amea\u00e7ada constantemente, o que a levou a acreditar que sua seguran\u00e7a e a de sua fam\u00edlia dependiam do sil\u00eancio.<br \/>\n&#8220;Ele me batia, ele me enforcava e ele me amea\u00e7ou de morte v\u00e1rias vezes se eu contasse para algu\u00e9m. Ele amea\u00e7ou matar minha m\u00e3e, minha av\u00f3. [&#8230;] Eu era crian\u00e7a, eu n\u00e3o entendia nada, ent\u00e3o eu realmente achei que ele faria uma coisa daquela. E, com o tempo, eu passei a achar que o que ele estava fazendo comigo era minha culpa\u201d, relembra.<br \/>\nA dor emocional era t\u00e3o intensa que, aos poucos, Carolina se isolou e n\u00e3o queria mais estar pr\u00f3xima da pr\u00f3pria fam\u00edlia. E os abusos se estenderam at\u00e9 os 12 anos de idade.<br \/>\nA chegada da adolesc\u00eancia<br \/>\nAos 13 anos, a sa\u00fade de Carolina come\u00e7ou a dar sinais. &#8220;Tinha muitas dores de cabe\u00e7a, muitos desmaios por conta da dor,&#8221; ela explica. A busca por um diagn\u00f3stico foi longa e sem sucesso, por\u00e9m, em determinado momento, as dores diminu\u00edram at\u00e9 cessar.<br \/>\nFoi nessa mesma idade que Carolina come\u00e7ou a namorar. O relacionamento trouxe uma nova onda de abusos, desta vez f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos.<br \/>\n\u201cEle era competidor de academia e ele era muito forte. E eu lembro que ele segurava no meu pesco\u00e7o com uma m\u00e3o s\u00f3 e olhava bem dentro do meu olho e ia apertando, at\u00e9 que eu perdesse as for\u00e7as. A hora que eu perdia as for\u00e7as na perna, ele parava\u201d, ela descreve.<br \/>\nO relacionamento durou quatro anos, marcados por viol\u00eancia constante. At\u00e9 que as 16 anos, Carolina engravidou.<br \/>\n&#8220;Quando eu contei para ele que estava gr\u00e1vida, ele disse que eu tinha que abortar&#8221;, lembra. &#8220;Foi a primeira vez que consegui enfrent\u00e1-lo. Disse que ia cuidar da minha filha.&#8221;<br \/>\n\u201cEle disse que n\u00e3o estava pronto para ser pai e eu disse: \u2018eu n\u00e3o t\u00f4 pronta pra ser m\u00e3e, mas se veio um nen\u00e9m \u00e9 porque a gente tem condi\u00e7\u00f5es de cuidar, ent\u00e3o eu vou cuidar da minha filha\u2019. E ele n\u00e3o quis, depois nunca mais tocou no assunto\u201d, conta.<br \/>\nLuta contra a neuralgia do trig\u00eameo<br \/>\nDurante a gravidez, Carolina Arruda contraiu dengue e de repente se viu tendo crises severas de dor.<br \/>\n\u201cEu lembro da minha primeira crise. Eu lembro que eu estava sentada no sof\u00e1 da casa da minha av\u00f3. Meu pai estava do meu lado. E na hora me deu um choque muito forte. E nesse choque da crise, eu s\u00f3 conseguia gritar. Eu batia as pernas, esperneava e gritava, gritava, gritava muito. Depois que a crise foi embora, eu n\u00e3o conseguia explicar pro meu pai o que eu tinha sentido naquele momento\u201d, relata.<br \/>\nA busca por um diagn\u00f3stico correto continuou por quatro anos, com muitos m\u00e9dicos descartando a possibilidade de neuralgia do trig\u00eameo bilateral devido \u00e0 idade dela. Isso porque pesquisas apontam que a doen\u00e7a \u00e9 mais comum em pessoas com mais de 50 anos e, na \u00e9poca, ela tinha 16.<br \/>\nCarolina conta que no final da gravidez descobriu que o namorado da \u00e9poca a tra\u00eda. Al\u00e9m disso, ele tinha engravidado outra pessoa, mas preferia se manter afastado da jovem que gerava a filha deles.<br \/>\n\u201cAssim que minha filha nasceu, eu achei que ele ia vir atr\u00e1s, eu achei que ele ia ser um pai, que ia ficar feliz, mas n\u00e3o. Ele n\u00e3o queria estar ali e falava pra mim que n\u00e3o queria fazer parte da vida dela. Ent\u00e3o, eu fiquei mais uma vez desamparada\u201d, conta.<br \/>\n\u201cEu senti de novo aquela Carolina l\u00e1 da inf\u00e2ncia, despreparada para lutar, para lidar com todas aquelas emo\u00e7\u00f5es que estavam em mim e eu n\u00e3o conseguia entender o que estava acontecendo com a minha vida\u201d.<br \/>\nCom o tempo, a jovem foi ficando cada vez mais doente e tendo crises excruciantes de dor. Ela relata que chegava a desmaiar e, em algumas situa\u00e7\u00f5es, derrubava a filha rec\u00e9m-nascida, o que aos poucos se tornou perigoso.<br \/>\n\u201cMinha av\u00f3, que \u00e9 a bisav\u00f3 dela, conversou comigo e prop\u00f4s de criar minha filha e quando eu tivesse bem o suficiente, eu voltaria para busc\u00e1-la e eu aceitei. Ent\u00e3o, mais uma vez, eu tinha perdido a minha vida, praticamente. Eu me vi sozinha de novo, me vi solit\u00e1ria de novo, porque eu perdi minha filha. Eu sei que foi um combinado, eu sei que foi o meu melhor, mas eu senti culpa. Culpa por n\u00e3o poder mudar a minha realidade naquele momento. Culpa ter estado t\u00e3o doente a ponto de n\u00e3o poder cuidar da minha filha. E eu lembrava de como eu me sentia l\u00e1 quando eu era crian\u00e7a, totalmente desamparada\u201d, completa.<br \/>\nLEIA TAMB\u00c9M<br \/>\n\u2018Cirurgia foi perfeita\u2019, diz m\u00e9dico sobre implante de jovem<br \/>\nCUIDADOS P\u00d3S-OPERAT\u00d3RIOS: Implante de eletrodos faz com que jovem fique 5 dias sem falar; entenda<br \/>\nSaiba quais s\u00e3o as alternativas de tratamento da jovem com a &#8216;pior dor do mundo&#8217;<br \/>\nDOR BILATERAL E IDADE: Por que caso de Carolina Arruda \u00e9 considerado raro<br \/>\n&#8216;A dor \u00e9 a mesma, o que reduziu foi a frequ\u00eancia&#8217;, diz jovem ap\u00f3s primeira interna\u00e7\u00e3o para tratamento<br \/>\nJovem cogitou suic\u00eddio assistido na Su\u00ed\u00e7a<br \/>\nCarolina Arruda, de 27 anos, \u00e9 natural de S\u00e3o Louren\u00e7o, no Sul de Minas, e mora em Bambu\u00ed, no Centro-Oeste. Ela \u00e9 estudante de medicina veterin\u00e1ria, casada h\u00e1 tr\u00eas anos e m\u00e3e de uma menina de 10 anos. A jovem come\u00e7ou a sentir as dores aos 16 anos, quando estava gr\u00e1vida e se recuperava de dengue.<br \/>\nA dor e o desgaste de Carolina com a doen\u00e7a s\u00e3o t\u00e3o intensos, que fizeram ela tomar a decis\u00e3o para p\u00f4r fim ao sofrimento. Ela iniciou uma campanha na internet para conseguir recursos financeiros e ser submetida ao suic\u00eddio assistido na Su\u00ed\u00e7a.<br \/>\nCarolina Arruda tem 27 anos quer ser submetida \u00e0 eutan\u00e1sia na Su\u00ed\u00e7a<br \/>\nCarolina Arruda\/Divulga\u00e7\u00e3o<br \/>\nCarolina foi internada no dia 8 de julho na Santa Casa de Alfenas. Nesta primeira interna\u00e7\u00e3o, a estudante ficou no hospital durante duas semanas. No dia 22 de julho, ap\u00f3s receber uma alta tempor\u00e1ria, ela relatou ter notado redu\u00e7\u00e3o na frequ\u00eancia e dura\u00e7\u00e3o das crises de dor.<br \/>\nA jovem voltou a ser internada na sexta-feira (26) para realizar os cuidados pr\u00e9-operat\u00f3rios referentes ao implante de eletrodos. A cirurgia, realizada no s\u00e1bado (27), foi considerada bem sucedida. Os cuidados p\u00f3s-operat\u00f3rios envolvem usar um colar cervical e ficar sem falar por pelo menos cinco dias.<br \/>\nO que \u00e9 a neuralgia do trig\u00eameo?<br \/>\nA neuralgia do trig\u00eameo, tamb\u00e9m conhecida como a &#8220;doen\u00e7a do suic\u00eddio&#8221;, e comparada a choques el\u00e9tricos e at\u00e9 a facadas. O trig\u00eameo \u00e9 um dos maiores nervos do corpo humano. Ele leva esse nome porque se divide em tr\u00eas ramos:<br \/>\no ramo oft\u00e1lmico;<br \/>\no ramo maxilar, que acompanha o maxilar superior;<br \/>\no ramo mandibular, que acompanha a mand\u00edbula ou maxilar inferior.<br \/>\nEle \u00e9 um nervo sensitivo, ou seja, que controla as sensa\u00e7\u00f5es que se espalham pelo rosto. Permite, por exemplo, que as pessoas sintam o toque, uma picada e a dor no rosto.<br \/>\nSegundo os especialistas, a dor causada pela doen\u00e7a \u00e9 uma das piores do mundo. Ela n\u00e3o \u00e9 constante fora das crises, mas \u00e9 disparada por alguns gatilhos que, na verdade, fazem parte da vida cotidiana como falar, mastigar, o toque durante a escova\u00e7\u00e3o ou barbear e at\u00e9 com a brisa do vento sobre o rosto.<br \/>\nA dor \u00e9 incapacitante. Ou seja, impede que a pessoa consiga fazer atividades simples do dia a dia.<br \/>\nVeja mais not\u00edcias da regi\u00e3o no g1 Sul de Minas<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Decis\u00e3o veio ap\u00f3s entender que para tratar a dor f\u00edsica da neuralgia do trig\u00eameo, primeiro era necess\u00e1rio tratar a dor ps\u00edquica \u2013 causada por situa\u00e7\u00f5es vividas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia, que marcaram sua vida adulta. 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